Taipé Chinesa: o bilhete que deixa Taiwan entrar em campo, mas não leva o seu nome

Nos Jogos Olímpicos de Roma de 1960, a delegação de Taiwan entrou na cerimônia de abertura erguendo uma faixa branca com "UNDER PROTEST", o único protesto de abertura na história olímpica. Da recusa de Chiang Ching-kuo ao "Taiwan" proposto pelo COI, à vitória judicial de Hsu Heng, ao acordo de Lausana que trouxe a bandeira de flor de ameixeira e o hino, até a rejeição pelos próprios atletas da mudança de nome em 2018 — quarenta anos se passaram sem que o nome mudasse uma vírgula, mas quem fica em situação impossível no pódio são sempre os atletas que dependem dele para competir, não os políticos que brigam pelo nome.

Taipé Chinesa: o bilhete que deixa Taiwan entrar em campo, mas não leva o seu nome
Imagem: 1960 年羅馬奧運開幕,福爾摩沙(台灣)代表團持「UNDER PROTEST」抗議牌進場。攝影 Harry Pot,荷蘭國家檔案館,CC0 · Fonte original

Resumo de 30 segundos: "Taipé Chinesa" é o nome que Taiwan é forçado a usar nos Jogos Olímpicos e na maioria das ocasiões internacionais. Mas a sua origem é mais complexa do que "aceitação forçada" sugere: em 1976, Montreal, foi o próprio governo de Taipé que recusou o "Taiwan" proposto pelo Comitê Olímpico Internacional; em 2018, o referendo de mudança de nome foi rejeitado pelos próprios atletas. Quarenta anos se passaram sem que o nome mudasse uma vírgula, mas quem fica em situação impossível no pódio são sempre os atletas que dependem dele para competir, não os políticos que brigam pelo nome.

Em 25 de agosto de 1960, os Jogos Olímpicos de Roma se abriam. As delegações entravam no estádio uma a uma. Quando chegou a vez de uma delas, o chefe de missão Lin Hung-tan (林鴻坦), à frente, ergueu uma faixa branca com duas palavras em inglês: UNDER PROTEST, em protesto1.

Naquele ano, a delegação não podia se chamar "República da China", nem "Taiwan". O nome dado pelo COI era "FORMOSA", Fórmosa. Na equipe estava um jovem chamado Yang Chuan-kwang (楊傳廣), que dias depois conquistaria a prata no decatlo — a primeira medalha olímpica de Taiwan — sob o nome de uma equipe chamada "Fórmosa".

Yang Chuan-kwang, Jogos Olímpicos de Roma 1960
Yang Chuan-kwang, prata no decatlo dos Jogos Olímpicos de Roma de 1960, a primeira medalha olímpica de Taiwan. Naquele ano, o nome da equipe sob a qual competiu era "FORMOSA", Fórmosa. (UCLA Southern Campus 1960, Domínio Público)

Foi a única vez na história olímpica em que uma delegação protestou abertamente na cerimônia de abertura2. Mais de sessenta anos se passaram, a faixa branca já virou história, mas a questão que ela queria protestar nunca terminou: uma equipe entra em campo, mas não pode usar o nome que gostaria.

Uma bandeira erguida em protesto, caminhando à frente

Para entender como nasceram estes quatro caracteres "Taipé Chinesa", primeiro é preciso ver uma coisa claramente: o nome de Taiwan nos Jogos Olímpicos, desde o início, nunca foi algo que ele pudesse decidir sozinho.

Após a guerra civil chinesa de 1949, o assento da "China" virou disputa entre dois regimes. O governo da República da China em Taipé e o da República Popular da China em Pequim, ambos alegavam representar a única China, e o COI ficava no meio. Em 1952, Helsinque, o COI convidou os dois lados simultaneamente; Taipé, incapaz de aceitar competir no mesmo palco que o outro lado, retirou-se antes das provas3. Em 1956, Melbourne, Taipé competiu como "China", e desta vez foi Pequim que saiu. Durante todos os anos 1950 e 60, o nome de Taiwan oscilou entre "China", "Fórmosa", "Taiwan", cada vez empurrado pela maré da política internacional, nunca uma escolha própria.

A ironia é que as edições em que o nome continha "Taiwan" foram justamente quando Taiwan tinha menos autonomia. Em 1968, Cidade do México, Taiwan competiu como "Taiwan"; Chi Cheng (紀政) conquistou o bronze nos 80 m com barreiras feminino, tornando-se a primeira mulher de Taiwan a ganhar medalha olímpica4. Mas "Taiwan" era um código colado pelo COI com base na geografia, não uma escolha do governo de Taipé. Para o governo da República da China, que insistia em "sou a China", ser chamado de "Taiwan" era, pelo contrário, um rebaixamento.

Em 1972, Munique, foi a última vez que a República da China pôde usar nome, bandeira e hino nacionais completos5. No ano seguinte, o mundo mudou.

📝 Nota do curador

Hoje estamos acostumados a ver "Taiwan" como um nome de orgulho, que se quer conquistar, e "Taipé Chinesa" como um compromisso humilhante, imposto à força. Mas voltando ao cenário dos anos 1960 e 70, essa oposição está invertida: o governo de Taipé mais queria defender o direito de representar a "China", e o que menos queria aceitar era justamente "Taiwan", porque chamar-se "Taiwan" equivalia a admitir que era apenas uma ilha, abrindo mão da legitimidade sobre a China inteira. Em 1968, o bronze pendurado no nome "Taiwan" era rebaixamento; em 2024, o mesmo "Taiwan" gritado nas arquibancadas é orgulho. Meio século, a mesma palavra virou do avesso.

Quem queria "Taiwan" era a comunidade internacional, quem recusou foi Taipé

1976, Montreal, é a página mais contra-intuitiva de toda esta história.

O país anfitrião era o Canadá. O Canadá reconhecera Pequim já em 1970; baseando-se na política de "uma só China", o lado canadense recusou a entrada da delegação de Taiwan sob o nome "República da China". Vendo Taiwan prestes a ficar de fora, o COI interveio com um compromisso: deixar Taiwan competir sob o nome "Taiwan", mantendo bandeira e hino6.

Ou seja, quem queria que Taiwan se chamasse "Taiwan" era o COI. Quem teimou em não aceitar foi Taipé.

A decisão final coube a Chiang Ching-kuo (蔣經國). O governo da República da China via "Taiwan" como um arranjo que rebaixava o estatuto nacional: aceitá-lo equivalia a admitir implicitamente ser apenas uma autoridade local numa ilha, abrindo mão da legitimidade sobre toda a China. Por isso, na véspera da abertura, a delegação escolheu retirar-se, voltando para casa inteira7. Um pesquisador comentou depois: "it was the KMT that made this decision. It was an own goal, basically." (Foi o KMT que tomou a decisão. Basicamente, um gol contra.)8

⚠️ Ponto de controvérsia

Reduzir a história de Montreal 1976 a "o Canadá bullying Taiwan" é uma leitura comum, mas errada. A verdade é mais complexa e incômoda: a comunidade internacional ofereceu o nome "Taiwan", e foi Taipé que, baseada na sua insistência soberana, o empurrou de volta. Apontar isso não é fazer juízo moral de nenhum lado, apenas restaurar uma causalidade frequentemente invertida: a narrativa popular "Taipé Chinesa = Taiwan engoliu à força um nome humilhante" aponta na direção oposta. Pelo menos uma vez, a chance de Taiwan competir como "Taiwan" foi fechada pela sua própria porta.

O preço da retirada apareceu rápido. Em 1979, o COI, por votação postal em Nagoya, Japão, formalizou o "modelo das duas Chinas" que vigora até hoje: o COI de Pequim passou a se chamar "Comitê Olímpico da China", usando bandeira e hino da RPC; o de Taipé foi obrigado a mudar de nome, e sua bandeira e hino não podiam ser os de antes9. Se Taiwan quisesse voltar aos Jogos, teria de trocar de nome, de bandeira, de hino.

Ganhou o processo, depois aceitou um novo nome

Diante da Resolução de Nagoya, Taiwan não baixou a cabeça de imediato, mas primeiro processou.

No final de 1979, o membro do COI Hsu Heng (徐亨) e o Comitê Olímpico da República da China entraram com ação no tribunal distrital de Lausana, na Suíça, onde fica a sede do COI, alegando que a Resolução de Nagoya violava a Carta Olímpica10. Em 27 de março de 1980, o tribunal proferiu decisão interlocutória, considerando que a atitude do COI "parece violar o espírito e a letra da Carta, especialmente os artigos 64, 65, 66", e condenou o COI a pagar as custas processuais de 100 francos suíços, mais 500 francos a Hsu Heng (autor) a título de reembolso11.

No plano jurídico, Taiwan ganhou. Mas, ganho o processo, e daí? O fato de o COI ter violado a Carta estava estabelecido, mas Taiwan continuava sem poder voltar. Por trás da Resolução de Nagoya estava a virada de todo o quadro de reconhecimento internacional; uma sentença não mudava isso. O processo virou moeda de negociação. Em 26 de janeiro de 1981, Hsu Heng e o novo presidente do COI, Samaranch (Juan Antonio Samaranch), chegaram a consenso e retiraram a ação12.

Dois meses depois, em 23 de março de 1981, o secretário-geral do Comitê Olímpico da República da China, Shen Chia-min (沈家銘), e Samaranch assinaram formalmente o Acordo de Lausana (Acordo entre o COI e o Comitê Olímpico de Taipé Chinesa). O acordo fixou o nome que vigora até hoje: CHINESE TAIPEI OLYMPIC COMMITTEE, código de país TPE13. Um detalhe revela o cálculo político da época: na ordem de entrada dos Jogos, TPE foi colocado no grupo T, deliberadamente separado dos códigos começados por C de "China", para evitar qualquer associação visual de "duas Chinas" lado a lado.

Presidente do COI Samaranch
O então presidente do COI, Samaranch (Juan Antonio Samaranch). Em 23 de março de 1981, ele e o secretário-geral do Comitê Olímpico da República da China, Shen Chia-min, assinaram o Acordo de Lausana; o nome "Chinese Taipei" ficou definido dali em diante, usado há quarenta anos. (Foto Leo Medvedev, CC BY-SA 4.0)

📝 Nota do curador

"Ganhou o processo, depois aceitou um novo nome" soa como um final contraditório, mas é exatamente o ponto mais mal entendido de "Taipé Chinesa". Não foi pura rendição, nem pura vitória. Taiwan provou em tribunal que o COI estava errado, mas na mesa de negociação aceitou um nome que não era sua primeira escolha, porque o custo de ficar excluído do cenário esportivo internacional por dez anos inteiros pesava mais que um nome imperfeito. Para os atletas, poder competir é sempre a prioridade número um.

O novo nome precisava de novos símbolos. A bandeira do comitê foi esboçada por Lin Hsing-hsiung (林幸雄), finalizada por Weng Ming-yi (翁明義), e Chiang Ching-kuo escolheu pessoalmente, entre três propostas, a "bandeira de flor de ameixeira com cinco anéis": a borda externa traz o azul, branco e vermelho da bandeira nacional, o centro o emblema do sol branco sobre céu azul, e na base os cinco anéis olímpicos14. Esta bandeira, depois conhecida como "bandeira de flor de ameixeira", substituiu a bandeira azul-céu, sol branco, terra vermelha, aparecendo em todos os pódios olímpicos desde então.

Bandeira do Comitê Olímpico de Taipé Chinesa (bandeira de flor de ameixeira)
Bandeira do Comitê Olímpico de Taipé Chinesa, conhecida como "bandeira de flor de ameixeira". A borda azul, branco e vermelho vem da bandeira da República da China, o centro traz o emblema do sol branco sobre céu azul, e na base os cinco anéis olímpicos. Adotada após o Acordo de Lausana de 1981, substituiu a bandeira nacional nos pódios. (Wikimedia Commons, Domínio Público)

Uma melodia igual, letra diferente

Se você já viu atletas de Taiwan subirem ao lugar mais alto do pódio olímpico, notou que a bandeira hasteada não é a nacional, e o hino tocado não é o nacional. Mas pouca gente repara que aquele "Hino da Bandeira" tocado no pódio, embora a melodia seja familiar, a letra é completamente outra.

O Acordo de Lausana proíbe Taiwan de usar o hino nacional; o Comitê Olímpico da República da China fez então um arranjo engenhoso: manteve a melodia do Hino da Bandeira, mas reescreveu a letra. A nova letra foi escrita pelo então vice-presidente e secretário-geral Chang Pi-te (張彼德), aprovada pela Comissão Executiva do COI em 1º de junho de 1983, usada pela primeira vez nos Jogos de Inverno de Sarajevo de 198415. A letra começa assim:

"Olímpico, Olímpico, sem distinção de religião, nem de raça. Pela promoção da amizade, pela paz mundial, jovens dos cinco continentes, reúnam-se nos Jogos Olímpicos..."

Basta ler uma vez para perceber: nesta música não há "Taiwan", não há "República da China", nem sequer "Taipé Chinesa" — fala do espírito olímpico, da paz mundial, dos jovens dos cinco continentes. Uma música nascida para poder competir, que deliberadamente não remete a nenhuma nação. Quando a dupla Lee Yang (李洋) e Wang Chi-lin (王齊麟), Kuo Hsing-chun (郭婞淳) ou Lin Yu-ting (林郁婷) sobem ao topo do pódio, o que toca é esta melodia familiar, de letra estranha. A maioria dos taiwaneses conhece a melodia, mas não necessariamente sabe que a letra já foi trocada.

Trecho oficial do COI dos pódios de Paris 2024. Quando atletas de Taipé Chinesa sobem ao pódio, toca esta melodia familiar, de letra estranha, sem "Taiwan", nem "República da China".

Nome, bandeira, hino — os três símbolos todos trocados — e Taiwan finalmente voltou aos Jogos em 1984. O preço: desde então, nunca mais pôde ouvir seu verdadeiro nome no palco internacional.

Um inglês, duas traduções chinesas, uma guerra de soberania nas palavras

O nome inglês "Chinese Taipei" estava definido, mas o problema apenas começava, porque ele tem duas traduções chinesas.

Em 6 de abril de 1989, o secretário-geral do Comitê Olímpico da República da China, Lee Ching-hua (李慶華), e o presidente do Comitê Olímpico da China, He Zhenliang (何振梁), assinaram em Hong Kong um acordo (conhecido como "consenso de 89"), confirmando que a tradução chinesa oficial de "Chinese Taipei" é "Taipé Chinesa". O texto é específico: "……sempre que, em chinês, se referir a equipes e organizações esportivas da região de Taiwan, chamá-las-á de 'Taipé Chinesa'."16

O problema está no alcance do texto. Lendo com atenção, vê-se que o acordo só regula documentos, manuais, cartas, crachás e anúncios do organizador — ou seja, regula o lado oficial, não a imprensa. Essa brecha virou uma fenda que não para de vazar: a mídia chinesa pode legitimamente continuar usando a outra tradução, "Taipé da China". A partir de abril de 2017, a CCTV (央視) passou a usar sistematicamente "Taipé da China" para se referir à equipe de Taiwan17.

Para Taiwan, "Taipé Chinesa" e "Taipé da China" diferem num só caractere, mas o significado é abissal. A posição do Conselho de Assuntos do Continente (陸委會) é que "Taipé da China" rebaixa Taiwan e viola o modelo olímpico; o Escritório de Assuntos de Taiwan (國台辦) da China diz que ambas são traduções de "Chinese Taipei", não há rebaixamento. Essa disputa de um caractere nem dentro de Taiwan tem consenso. Tsai Ing-wen (蔡英文), após participar da Assembleia Mundial da Saúde (WHA) em 2016 como "Taipé Chinesa", disse: "Quanto à denominação, não houve rebaixamento, nem enquadramento político limitante; cumpri a missão sem decepcionar"18; o presidente do KMT, Chu Li-lun (朱立倫), contra-atacou: "Não pode o KMT participar da WHA como Taipé Chinesa e chamar de perda de soberania e auto-rebaixamento, enquanto o PDP chama de profissional e pragmático, sem rebaixamento"19. O professor de filosofia da Universidade de Taiwan, Lin Huo-wang (林火旺), também se manifestou: "Taipé Chinesa também serve", "reconhecer a realidade política faz achar que a presidente Tsai é muito pragmática"20.

📝 Nota do curador

O nome não muda há quarenta anos, mas o que ele aponta está sendo constantemente redefinido. Para Pequim, é "Taipé da China", um ramo local; para o apresentador da NHK japonesa na transmissão de Tóquio 2020, saiu espontaneamente "台湾です" (é Taiwan); para os atletas, é o preço de entrar em campo. A mesma cadeia de letras "Chinese Taipei", na boca de gente diferente, emite frequências políticas completamente distintas. O que esta guerra realmente disputa é o direito de interpretar o nome.

A influência do "modelo de Taipé Chinesa" vai muito além dos Jogos. Em 1990, Jogos Asiáticos de Pequim, Taiwan voltou como Taipé Chinesa. Em novembro de 1991, Taiwan entrou na APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) como "economia" "Chinese Taipei", junto com China e Hong Kong — a primeira organização intergovernamental que Taiwan ingressava desde a saída da ONU em 197121. De 2009 a 2016, Taiwan participou oito anos seguidos como observador "Taipé Chinesa" na Assembleia Mundial da Saúde, até deixar de ser convidada a partir de 201722. O "modelo olímpico" transbordou assim de um arranjo esportivo para o modelo padrão de participação de Taiwan em quase todas as organizações internacionais onde a China está presente.

Emblema do Comitê Olímpico de Taipé Chinesa
Emblema do Comitê Olímpico de Taipé Chinesa, aprovado junto com a bandeira após o Acordo de Lausana de 1981. Mais do que a bandeira hasteada no pódio, o emblema aparece nos uniformes e documentos oficiais — e acompanhou o "modelo olímpico" para fora do esporte, sendo usado na APEC, na Assembleia Mundial da Saúde e outros palcos. (Wikimedia Commons, Domínio Público)

Quem mais sofre com o nome não tem palco para votar

2018: um referendo colocou pela primeira vez a questão do "nome" nas mãos de todos os taiwaneses.

A iniciadora foi Chi Cheng — e o nome Chi Cheng carrega sozinho todas as contradições de "Taipé Chinesa". Em 1968, conquistou o primeiro bronze feminino de Taiwan sob o nome "Taiwan"; em 1981, foi uma das artífices do modelo de Taipé Chinesa que devolveu Taiwan aos Jogos23; de 1981 a 1990, aceitou convite do KMT para ser legisladora. Então, em 2018, a ex-funcionária do establishment encabeçou o "referendo de mudança de nome para Tóquio 2020", defendendo que Taiwan deveria competir como "Taiwan". Uma pessoa, em quarenta anos, passou de criadora do nome a sua opositora.

O especial da FTV Taiwan Yanyi sobre Chi Cheng traça toda a curva: a "gazela voadora" do México 1968, a artífice do retorno olímpico em 1981, a iniciadora do referendo de 2018. A mesma pessoa carrega todas as contradições de "Taipé Chinesa".

A questão 13 do referendo era clara: "Você concorda em solicitar a participação em todos os eventos esportivos internacionais e nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 sob o nome completo 'Taiwan' (Taiwan)?"24

O referendo gerou um choque frontal entre duas forças. De um lado, os favoráveis à mudança, que viam nisso questão de dignidade; do outro, quem se manifestou publicamente contra foram justamente os mais diretamente afetados por esse nome — os próprios atletas. O badmintonista Chou Tien-chen (周天成) disse: "Atletas arriscam a vida competindo; o que queremos é apenas o palco, não precisamos de mudança de nome ideológica."25 O velocista Yang Chun-han (楊俊瀚) apelou aos eleitores: "Cada voto de vocês vai afetar nosso futuro..."26 A campeã de halterofilismo Hsu Shu-ching (許淑淨) foi mais direta: "Votem contra."27

O medo dos atletas vinha da atitude do COI. Em 2018, o COI enviou três cartas ao Comitê Olímpico de Taipé Chinesa, deixando claro que não aprovaria pedido de mudança de nome, que pressão externa excessiva seria vista como interferência política, e que poderia até revogar o reconhecimento do comitê28. Para atletas que vivem do direito de competir, isso é ameaça à carreira.

Mas há aqui uma confusão generalizada. Lendo com atenção as advertências do COI, descobre-se que ele ameaça "se o nome for realmente mudado", não "se houver voto pedindo para solicitar". A Carta Olímpica prevê suspensão quando governo ou entidade "prejudicar o funcionamento do comitê olímpico nacional"; o referendo aprovado apenas pede ao governo que faça a solicitação, e o comitê, como entidade privada, poderia em tese optar por não executar — a suspensão não seria automática29. O projeto Legalese Taiwan (法律白話文) também apontou que "referendo de mudança de nome = banimento automático" é uma simplificação alarmista.

⚠️ Ponto de controvérsia

Então o medo dos atletas é infundado? Nem totalmente. A dinâmica política pós-referendo é cheia de incertezas, e o próprio fato de o COI ter enviado três cartas já criou pressão real — pressão que não precisa virar suspensão efetiva para tirar o sono de um atleta na véspera da votação. É nisso que "Taipé Chinesa" é mais cruel: empurra um problema político que a sociedade inteira deveria carregar para cima justamente do grupo que não tem fichas de barganha, mas sofre as consequências mais diretas. Quem mais sofre com o nome é justamente quem menos espaço tem para lutar pela mudança.

Em 24 de novembro de 2018, o resultado saiu. Votos a favor: 4.763.086 (45,20%); contra: 5.774.556 (54,80%); comparecimento: 55,89%30. A mudança de nome foi rejeitada por cerca de um milhão de votos de diferença. Kuo Hsing-chun disse depois: "O referendo não passou, para os atletas é mais tranquilo, não precisamos assumir esse risco."31

Reportagem da TTV News sobre o ponto mais amplificado antes do referendo: se a mudança passasse, o Comitê Olímpico de Taipé Chinesa seria expulso pelo COI. A veracidade dessa questão era exatamente o núcleo da discórdia entre atletas e defensores da mudança.

Quarenta anos depois, o nome permanece, a luta permanece

O referendo acabou, mas o puxa-e-puxa do "nome" sobre cada atleta nunca parou.

Antes dos Jogos de Inverno de Pequim 2022, a patinadora de velocidade Huang Yu-ting (黃郁婷) foi fotografada treinando com uniforme da equipe chinesa bordado com "China". Diante da polêmica, respondeu: "No mundo do esporte, não há distinção de nacionalidade"32 (sic), e que competir era "como jogar em casa"33. A Administração de Esportes considerou inadequado, suspendeu sua bolsa por dois anos e prometeu mudar a lei34. Diante do mesmo "nome", uns lutam para gritar "Taiwan", outros acham que nacionalidade não deveria fazer parte do esporte. A fenda corta o interior do próprio grupo de atletas.

Reportagem da CTS News de 2022: Huang Yu-ting treinou com uniforme da equipe chinesa bordado "China", gerando onda de críticas. Ela disse "no mundo do esporte não há distinção de nacionalidade", enquanto a punição da Administração de Esportes traçou outra linha.

E o que é arrancado, às vezes, são coisas mais concretas. Na abertura de Tóquio 2020, quando o locutor disse "Chinese Taipei", o apresentador da NHK soltou direto "台湾です" (é Taiwan)35 — quatro caracteres que muitos internautas taiwaneses chamaram de "momento mais emocionante da noite". Mas em Paris 2024, na final do badminton masculino, uma faixa com "Taiwan" na arquibancada foi arrancada e rasgada na hora por funcionários do local e espectadores suspeitos de serem chineses36. Lee Yang e Wang Chi-lin levaram o ouro, no pódio subiu a bandeira branca de flor de ameixeira, tocou o hino sem "Taiwan". O nome continua o mesmo de quarenta anos atrás.

Após Paris, a mídia e a sociedade de Taiwan passaram a chamar cada vez mais de "equipe Taiwan" (Team Taiwan), em vez do antigo "equipe China" (equipe República da China), e jornalistas esportivos usam mais "heróis de Taiwan"37. O pêndulo emocional da sociedade está se movendo, mas a bandeira e o hino no pódio olímpico não se mexeram.

Também nessa luta, Chi Cheng apareceu de novo. Em julho de 2021, a mulher que em 1981 trouxe Taiwan de volta aos Jogos anunciou novo impulso a referendo de mudança de nome, alvo Paris 2024. Desta vez, o ex-presidente Ma Ying-jeou (馬英九) se opôs publicamente, dizendo que a mudança "só vai prejudicar Taiwan"38.

Da faixa "UNDER PROTEST" de Roma 1960 à faixa "Taiwan" rasgada em Paris 2024, separam-se mais de sessenta anos. Nesses sessenta anos, quem queria "Taiwan" e quem queria guardar "China" trocaram de lado sem parar — o COI já quis dar "Taiwan" a Taiwan, e foi o próprio Taipé que empurrou de volta; atletas já usaram o voto para rejeitar "Taiwan", e no campo anseiam que alguém grite "Taiwan" por eles; Chi Cheng criou "Taipé Chinesa" com as próprias mãos, e passou a segunda metade da vida tentando derrubá-la. Ninguém ficou parado o tempo todo.

E aquele bilhete de entrada continua deixando Taiwan entrar em campo, continua sem levar o seu nome. Da próxima vez que você vir a bandeira de flor de ameixeira subir no pódio e ouvir aquele hino sem "Taiwan", vai saber que essa batalha dura quarenta anos e ainda não tem vencedor. E quem fica em situação impossível é sempre a pessoa lá em cima no pódio.

Leitura complementar

Créditos das imagens

Créditos dos vídeos

Quatro vídeos incorporados de canais oficiais (documentários/jornalismo/esportes, não reuploads de usuários):

Referências

  1. Delegação da República da China nos Jogos Olímpicos de Verão de 1960 — Wikipédia em chinês, registra que o chefe de missão Lin Hung-tan exibiu faixa branca "UNDER PROTEST" na cerimônia de abertura.
  2. Richard W. Pound, Journal of Olympic History (ISOH) — Artigo acadêmico do membro do COI Pound citando arquivos originais do COI, confirma 1960 Roma como único protesto em cerimônia de abertura, e corrige que houve dois portadores de faixa (placa "Formosa" e "Under Protest").
  3. Delegação de Taipé Chinesa nos Jogos Olímpicos — Wikipédia em chinês, registra evolução dos nomes de participação, 1952 Helsinque República da China retirou-se por questão das duas Chinas.
  4. Centro de Verificação de Fatos de Taiwan: anos 1960 nunca participou dos Jogos como Taiwan — Cita relatórios oficiais olímpicos verificando nomes de cada edição, confirma 1968 Cidade do México como "Taiwan" (TWN), Chi Cheng conquistou bronze nos 80 m com barreiras feminino, primeira mulher de Taiwan a ganhar medalha olímpica.
  5. Delegação da República da China nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972 — Wikipédia em chinês, registra 1972 Munique como última vez que a República da China "conseguiu participar dos Jogos de Verão com nome, bandeira e hino nacionais".
  6. República da China nos Jogos Olímpicos de Verão — Wikipédia em inglês, registra Montreal 1976: Canadá (reconheceu RPC em 1970) recusou nome "Republic of China", COI propôs compromisso de competir como "Taiwan".
  7. Montreal 1976: Controvérsias Diplomáticas — Site oficial do COI, registra recusa do Canadá ao nome "Republic of China", tentativa de mediação do COI, retirada da ROC na véspera da abertura.
  8. Richard W. Pound, Journal of Olympic History (ISOH) — Comentário sobre a recusa do nome "Taiwan" em 1976, do pesquisador Garret Clarke: "it was the KMT that made this decision. It was an own goal, basically." (Fonte única, assinalada como opinião do autor, não como conclusão). O estudo do acadêmico de Harvard Xu Guoqi também apoia o fato histórico de a decisão ter partido de Taipé, citado ema partir de arquivos originais do COI.
  9. Resolução de Nagoya — Wikipédia em inglês, registra 1979: votação postal formalizou modelo das duas Chinas no COI: RPC usa bandeira e hino nacionais, ROC deve mudar para Chinese Taipei com bandeira e hino diferentes do passado, resultado divulgado em 26-11-1979.
  10. Tang Ming-hsin: Análise do "modelo olímpico" e dos "acordos entre os dois comitês" — Fundação de Pesquisa de Políticas Nacionais, relato em primeira pessoa do ex-dirigente do Comitê Olímpico Tang Ming-hsin sobre o processo movido por Hsu Heng e pelo Comitê Olímpico no final de 1979 no tribunal distrital de Lausana.
  11. Tang Ming-hsin: Análise do "modelo olímpico" e dos "acordos entre os dois comitês" — Fundação de Pesquisa de Políticas Nacionais, transcrição literal da decisão interlocutória de 27-03-1980 do tribunal de Lausana: "COI parece violar espírito e letra da Carta, especialmente artigos 64, 65, 66" e custas: "100 francos suíços a cargo do COI, mais 500 francos a Hsu Heng (autor) para reembolso de despesas".
  12. Acordo de Lausana — Wikipédia em chinês, registra 26-01-1981 Hsu Heng et al. chegam a consenso com Samaranch e retiram a ação.
  13. Lin Chia-ho / "Taipé Chinesa" passado e presente — aqueles anos em que processamos o COI — The Reporter, artigo do jurista Lin Chia-ho reconstituindo 23-03-1981: secretário-geral Shen Chia-min e Samaranch assinam Acordo de Lausana, fixam nome "CHINESE TAIPEI OLYMPIC COMMITTEE" e código TPE.
  14. Bandeira do Comitê Olímpico da República da China (bandeira de flor de ameixeira) — Wikipédia em chinês, registra bandeira esboçada por Lin Hsing-hsiung, finalizada por Weng Ming-yi, Chiang Ching-kuo escolheu entre três propostas, design contém azul-branco-vermelho da bandeira nacional, emblema sol branco céu azul e cinco anéis olímpicos.
  15. Você talvez não saiba: a letra do hino do Comitê Olímpico não é a do Hino da Bandeira! — Sports Vision, registra hino escrito por Chang Pi-te, usa melodia do Hino da Bandeira com nova letra, aprovado em 01-06-1983 pela Comissão Executiva do COI, estreia em Sarajevo 1984, letra completa "Olímpico, Olímpico, sem distinção de religião, nem de raça...".
  16. Taipé Chinesa — Wikipédia em chinês (transcrição do Conselho de Segurança Nacional), registra 06-04-1989 Lee Ching-hua e He Zhenliang assinam em Hong Kong, fixam tradução chinesa de Chinese Taipei como "Taipé Chinesa", texto regula apenas documentos, manuais, cartas, crachás e anúncios do organizador.
  17. Disputa da tradução chinesa: Taipé Chinesa vs Taipé da China — Wikipédia em chinês, registra a partir de abril de 2017 CCTV passou a usar sistematicamente "Taipé da China" para equipe de Taiwan.
  18. Tsai Ing-wen: WHA denominação não foi rebaixada — SETN, registra Tsai Ing-wen em 27-05-2016: "Quanto à denominação, não houve rebaixamento, nem enquadramento político limitante, cumpri a missão sem decepcionar" (esta versão literal conforme reportagem da SETN).
  19. Tsai diz Taipé Chinesa sem rebaixamento, Chu critica duplo padrão — Liberty Times, registra Chu Li-lun em 29-05-2016: "Não pode KMT participar WHA como Taipé Chinesa chamar de perda de soberania e auto-rebaixamento, PDP chamar de profissional pragmático sem rebaixamento".
  20. Pequena Tsai diz "Taipé Chinesa" sem rebaixamento, Lin Huo-wang: presidente Tsai muito pragmática — Liberty Times, registra professor de filosofia da Universidade de Taiwan Lin Huo-wang em 27-05-2016: "Taipé Chinesa também serve", "reconhecer realidade política faz achar que presidente Tsai é muito pragmática".
  21. Ministério das Relações Exteriores: participação de nosso país na APEC — Fonte primária do MOFA, registra 1991 Taiwan com mediação da Coreia do Sul entrou na APEC como "Chinese Taipei" junto com China e Hong Kong, primeira organização intergovernamental ingressada após saída da ONU.
  22. Ministério das Relações Exteriores: participação de nosso país na Assembleia Mundial da Saúde (WHA) — Fonte primária do MOFA, registra 2009 a 2016 Taiwan convidada como observador à WHA, a partir de 2017 não mais convidada até hoje.
  23. Chi Cheng — Wikipédia em chinês / site da Fundação Esperança, registra Chi Cheng 1968 México bronze, 1981 ajudou a estabelecer modelo de Taipé Chinesa, 1981-1990 legisladora, 2018 encabeçou referendo de mudança de nome para Tóquio.
  24. Caso do referendo de mudança de nome para Tóquio 2020 — Wikipédia em chinês (cita boletim da Comissão Eleitoral Central), questão 13: "Você concorda em solicitar a participação em todos os eventos esportivos internacionais e nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 sob o nome completo 'Taiwan' (Taiwan)?".
  25. Chou Tien-chen: atletas querem apenas o palco — LTSports 21-11-2018, registra badmintonista Chou Tien-chen: "Atletas arriscam a vida competindo; o que queremos é apenas o palco, não precisamos de mudança de nome ideológica".
  26. Atletas contra referendo de mudança de nome para Tóquio — TVBS, registra velocista Yang Chun-han apelando: "Cada voto de vocês vai afetar nosso futuro..." (frase original continua: "espero que todos pensem bem, levantem-se pelos atletas").
  27. Atletas contra referendo de mudança de nome para Tóquio — TVBS, registra campeã de halterofilismo Hsu Shu-ching: "Também espero que todos defendam os direitos dos atletas de competir, votem contra".
  28. Mudança de nome para Tóquio sofre três advertências do COI — Business Weekly, registra 2018 COI enviou três cartas ao Comitê Olímpico de Taipé Chinesa (terceira em 16-11), indicando não aprovar mudança, pressão externa excessiva vista como interferência, possível revogação de reconhecimento.
  29. Yang Kuei-chih / Modelo olímpico: taiwaneses viram gente de Taipé Chinesa ao sair do país? — Legalese Taiwan, baseada na Carta Olímpica analisa condição de suspensão: governo/entidade "prejudicar funcionamento do comitê olímpico nacional"; referendo aprovado não dispara suspensão automática, aponta "referendo de mudança de nome = banimento automático" como alarmismo excessivo.
  30. Votos favoráveis e contrários em disputa, mudança de nome para Tóquio não passa — CNA (votos confirmados por três fontes: Control Yuan, Comissão Eleitoral Central, boletim oficial), 24-11-2018: a favor 4.763.086 (45,20%), contra 5.774.556 (54,80%), comparecimento 55,89%, mudança de nome rejeitada.
  31. Kuo Hsing-chun comenta resultado do referendo — China Times 27-11-2018, registra Kuo Hsing-chun: "Referendo não passou, para atletas é mais tranquilo, não precisamos assumir esse risco".
  32. Huang Yu-ting responde polêmica do uniforme chinês — CTS 03-02-2022, cita Facebook de Huang Yu-ting: "Esporte é esporte, no mundo do esporte não há distinção de nacionalidade" ("屆" é erro de digitação do original).
  33. Huang Yu-ting: como jogar em casa — Newtalk 08-02-2022, registra Huang Yu-ting após Jogos de Inverno de Pequim: "Senti o entusiasmo do público no local, especialmente comovente, como jogar em casa".
  34. Polêmica do uniforme chinês de Huang Yu-ting nos Jogos de Inverno, Administração de Esportes promete mudar lei — Liberty Sports, registra Administração de Esportes 03-03-2022 considerou uniforme chinês de Huang Yu-ting inadequado, suspendeu bolsa por dois anos e prometeu mudar lei.
  35. Tóquio 2020: equipe China entra, NHK anuncia direto Taiwan — CNA 23-07-2021, registra abertura de Tóquio 2020: locutor disse "Chinese Taipei", apresentador da NHK disse em japonês "台湾です" (é Taiwan).
  36. Bandeiras proibidas, faixas rasgadas: por que não se pode mencionar Taiwan nos Jogos Olímpicos — NBC News, registra Paris 2024 final badminton masculino: faixa com "Taiwan" na arquibancada arrancada e rasgada por funcionários e espectadores suspeitos de serem chineses, Lee Yang e Wang Chi-lin conquistam ouro.
  37. Chinese Taipei ou Team Taiwan? Explorando esporte e identidade nacional na Taiwan contemporânea — Taiwan Insight, analisa tendência pós-Paris 2024 de mídia e sociedade taiwanesa preferir "equipe Taiwan" (Team Taiwan) em vez de "equipe China".
  38. Chi Cheng propõe novo referendo para Paris 2024, Ma Ying-jeou: só vai prejudicar Taiwan — Newtalk 31-07-2021, registra julho de 2021 Chi Cheng anuncia novo impulso a referendo para Paris 2024, ex-presidente Ma Ying-jeou se opõe: "Este referendo não tem sentido, só vai prejudicar Taiwan, não traz benefício".
Sobre este artigo Este artigo foi elaborado de forma colaborativa pela comunidade, com auxílio de IA na redação e revisão.
Palavras-chave
Taipé Chinesa modelo olímpico acordo de Lausana mudança de nome de Taiwan diplomacia esportiva soberania
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