Resumo em 30 segundos: Chen Ying-chen (1937–2016), nome de batismo Chen Yung-shan, nasceu em 1937 na cidade de Zhunan, condado de Miaoli, e mudou-se para Yingge, no condado de Taipei, onde cresceu. Estreou em 1959 com "A Barraca de Macarrão" e tornou-se famoso em 1964 com "A Tribo do General", uma tragédia envolvendo um veterano do continente chamado "Rosto Triangular" e uma jovem prostituta taiwanesa chamada "Garota Magrinha" em uma banda de entretenimento. Foi preso em 1968 devido ao "Caso da Liga Democrática de Taiwan" e condenado a 10 anos, sendo libertado antecipadamente em 1975 após o anistia pela morte de Chiang Kai-shek. Entre 1977 e 1978, publicou textos como "O Ponto Cego da Literatura de Raiz" para rebater críticas de figuras como Yu Kwang-chung. Em 1985, fundou a revista Renjian, inaugurando o gênero do não-ficção literário (reportagem literária) em Taiwan. Em 1988, fundou a Liga para a Unificação da China com Hu Chiu-yuan e outros, servindo como seu primeiro presidente. Em 2006, mudou-se para Pequim a convite da Universidade Renmin da China; no mesmo ano, sofreu um derrame. Em 2010, tornou-se vice-presidente honorário do sétimo comitê nacional da Associação de Escritores da China e faleceu em Pequim em 22 de novembro de 2016.
Chen Ying-chen foi um dos escritores de esquerda mais controversos e influentes da história literária do pós-guerra em Taiwan. Nascido como Chen Yung-shan em 1937, em Zhunan, condado de Miaoli, ele refugiou-se em Yingge com seu tio e pai em 1944, vivenciando a ruptura histórica entre o final do período colonial japonês e o início do pós-guerra. Através de obras como "A Tribo do General", "Caminho na Montanha" e a série "Edifício Washington", ele analisou a psicologia colonial de Taiwan, sua estrutura de classes e a condição histórica da divisão entre os dois lados do estreito. Chen não foi apenas um romancista e pioneiro do movimento de reportagem literária, mas também um intelectual político que defendia explicitamente a unificação com a China, uma posição classificada como "unificadora" (统派) no processo de localização de Taiwan, divergindo significativamente da opinião pública predominante na sociedade taiwanesa. Sua obra e pensamento influenciaram profundamente a construção teórica do movimento de Literatura de Raiz (Xiangtu) em Taiwan, servindo também como um marco espiritual para o campo unificador taiwanês subsequente. 1
Iluminação Intelectual da Juventude do Pós-Guerra
Chen Ying-chen cresceu em uma era complexa no pós-guerra de Taiwan, um contexto histórico que moldou profundamente sua visão de mundo e direção criativa. Nascido em Zhunan em 1937, viveu o fim do domínio japonês na infância e, após refugiar-se em Yingge em 1944, enfrentou as turbulências políticas do pós-guerra, como o Incidente 2-28 e o Terror Branco. Esses eventos históricos levaram o jovem Chen a refletir sobre política, sociedade e a natureza humana.
Sua escrita foi influenciada pelas correntes socialistas e por Lu Xun, promovendo o realismo no cenário literário de Taiwan.
Em setembro de 1958, Chen Ying-chen ingressou no Departamento de Línguas Estrangeiras do Colégio Técnico de Tamkang. 2 Durante a universidade, além de seu excelente desempenho acadêmico, ele começou a formar seus próprios conceitos políticos e sociais. Ao entrar em contato com a teoria marxista, passou a observar a sociedade taiwanesa através da análise de classes. Esse pensamento de esquerda influenciou profundamente suas décadas de criação e tornou-se a base ideológica para sua futura posição política de "unificação com a China". 2
Início da Carreira Literária e Fama
Em 1959, aos 22 anos, Chen Ying-chen publicou seu primeiro trabalho, "A Barraca de Macarrão", na revista Bi Hui, iniciando oficialmente sua carreira literária após um convite de Wei Tian-tsung.
No início da década de 1960, ele publicou sucessivos contos que mais tarde foram reunidos em coletâneas como Meu Irmão Kang-hsiung (1959–1964) e A Comédia de Tang Qian (1964–1967).
"A Tribo do General", publicada em 1964, foi a obra que o consagrou e marcou a maturidade de seu estilo. O conto descreve o amor trágico de duas figuras marginalizadas: "Rosto Triangular", um homem de quase quarenta anos, veterano do exército nacional, que sobrevive tocando trompete em uma banda de entretenimento; e "Garota Magrinha", uma jovem de quinze ou dezesseis anos de uma família pobre de Taitung, vendida para a prostituição devido à miséria de sua família. Após fugir para Taipé, ela se junta à mesma banda como uma pequena palhaça dançarina. Os dois encontram apoio mútuo na base da pirâmide social; Rosto Triangular deixa seu caderneta de aposentadoria para que ela possa comprar sua liberdade, mas o plano falha e ela é vendida novamente. Cinco anos depois, eles se reencontram e cometem suicídio juntos em um campo de cana-de-açúcar no dia seguinte.
Ao retratar a condição de marginalidade de um veterano do continente e de uma jovem taiwanesa, Chen descreveu com sensibilidade como duas vidas que poderiam não ter conexão se cruzaram em um caminho sem saída devido à Guerra Civil Chinesa e à estrutura econômica de base em Taiwan. Em 1999, "A Tribo do General" foi selecionada para os "Trinta Clássicos da Literatura de Taiwan" pelo Conselho para as Artes Literárias do Executivo. 3
"Caminho na Montanha": Uma Expiação Tardia do Terror Branco
Escrito em 1983 e publicado na revista Wen Ji, "Caminho na Montanha" é um dos contos de Chen Ying-chen que aborda o período do Terror Branco, assim como "Flor de Sino". 4
O conto começa com a perda súbita da vontade de viver da idosa Tsai Chien-hui, que definha até a morte. A narrativa retrocede para seus dias de trabalho árduo nas montanhas de Yingge e culmina em uma carta escrita em japonês que revela seu passado: seu segundo irmão traiu dois companheiros de armas — um foi executado por fuzilamento e o outro foi condenado à prisão perpétua na Ilha Verde (Green Island). Ela passou o resto de sua vida buscando expiação. 4
"Edifício Washington": Crítica ao Capital Transnacional e ao Compradorismo
A série "Edifício Washington" é um conjunto importante de obras produzidas após a segunda prisão de Chen Ying-chen em 1979, focando na agressão das corporações transnacionais sobre a economia, cultura e psique do Terceiro Mundo. Em 3 de outubro de 1979, ele foi detido pela Investigação Central sob custódia da sede de segurança; após um protesto assinado por figuras como Shi Ming-te, Chen Ku-ying, 白先勇, e Zheng Chou-yu, foi libertado cerca de 36 horas depois.
Seus contos e discursos desse período concentram-se na situação de Taiwan sob o capitalismo transnacional e o capitalismo de dependência.
O Caso da Liga Democrática de Taiwan de 1968
Em 31 de julho de 1968, o governo nacionalista prendeu 36 pessoas, incluindo Chen Ying-chen, Li Cheng-tsung, Wu Yao-chung, Chen Shu-kong e Chiu Yen-liang, sob a acusação de "organizar a leitura de livros de esquerda como Marx, Engels e Lu Xun e disseminar propaganda comunista". Este evento é conhecido como o "Caso da Liga Democrática de Taiwan" (algumas fontes chamam de Caso da Aliança Democrática de Taiwan). Na época, Chen era editor da revista Wenxue Jikan, e intelectuais como 黃春明 e Wei Tian-tsung também foram envolvidos, razão pela qual o evento é também chamado de "Incidente Wen Ji". 5
Nota: O motivo da prisão em 1968 foi o Caso da Liga Democrática de Taiwan, não a "Liga para a Unificação da China" fundada por Chen Ying-chen em 1988. Esta última foi uma organização política estabelecida 13 anos após sua libertação; os nomes são semelhantes, mas tratam-se de eventos completamente distintos.
Em 31 de dezembro de 1968, Chen Ying-chen foi condenado a 10 anos de prisão, sendo transferido para a Prisão de Taiyuan, em Taitung, e depois para o San Zhuang na Ilha Verde (Prisão de Reeducação da Ilha Verde). Na prisão, ele não parou de pensar ou escrever; pelo contrário, refletiu mais profundamente sobre questões sociais e as relações entre os dois lados do estreito. Em 1975, devido à anistia celebrando o centenário da morte de Chiang Kai-shek, Chen foi libertado três anos antes do prazo.
Essa experiência prisional consolidou sua posição de esquerda e seu apoio político à unificação com a China. Ele começou a analisar mais detalhadamente a posição de Taiwan no contexto da Guerra Fria e o destino comum do povo taiwanês com as nações oprimidas da Ásia, África e América Latina. Após sair da prisão em 1975, retornou ao cenário literário com um pensamento mais maduro e um estilo mais nítido. Obras desse período, como "Caminho na Montanha" e a série "Edifício Washington", refletem sua compreensão da realidade social e sua preocupação com o destino do povo.
Teórico do Movimento de Literatura de Raiz
Na década de 1970, surgiu em Taiwan o movimento de Literatura de Raiz (Xiangtu). Em 1976, Chen Ying-chen atuou como editor da revista Xia Chao. Durante as disputas teóricas da Literatura de Raiz em 1977–78, ele publicou artigos como "Estabelecendo o Estilo da Literatura Nacional", "A Literatura Reflete a Sociedade" e "O Ponto Cego da Literatura de Raiz", refutando críticas de figuras como Yu Kwang-chung, que argumentavam que a literatura de raiz tendia a uma literatura puramente operária ou camponesa. Por isso, ele é considerado um dos principais representantes dessa vertente. 6
"Xu Nan-cun" foi um de seus pseudônimos, usado, por exemplo, no artigo "A Nova Esperança da Arte Realista" publicado em 1978 na terceira edição de Shi Chao. Os artigos de debate mencionados acima foram publicados sob o nome real de Chen Ying-chen.
Na década de 1980, ele continuou envolvido na edição de Wen Ji e Xia Chao, e enfrentou intelectuais da vertente localista taiwanesa, como Chen Fang-ming, nos debates entre os conceitos de "Nó da China" (Zhongguo Jie) e "Nó de Taiwan" (Taiwan Jie).
Edição de Revistas e Promoção Cultural
Além da escrita de ficção, Chen Ying-chen dedicou-se ao trabalho editorial, empenhado na promoção de uma cultura progressista. Em 1985, fundou a revista Renjian, que utilizava o formato de reportagem literária para abordar diversos problemas sociais de Taiwan, incluindo questões trabalhistas, ambientais e dos povos indígenas.
A filosofia editorial da Renjian refletia as convicções culturais constantes de Chen: os trabalhadores culturais devem ir ao povo, compreender seus sofrimentos e registrar a vida social real através de palavras e imagens. A Renjian era uma revista mensal, publicada entre novembro de 1985 e setembro de 1989, totalizando 47 edições, sendo considerada pioneira na literatura de reportagem em Taiwan.
Através da revista Renjian, Chen Ying-chen formou um grupo de excelentes trabalhadores culturais, incluindo fotógrafos, escritores e jornalistas, que mais tarde continuariam a praticar suas crenças culturais em diversos campos do setor cultural taiwanês. 7
Conquistas Literárias e Status Histórico
O status de Chen Ying-chen na história literária de Taiwan é elevado. Ao lado de 白先勇, 黃春明 e Wang Zhen-he, ele compõe o elenco importante da literatura moderna de Taiwan. A diferença é que, enquanto 白先勇 foca no mundo espiritual da intelectualidade urbana e 黃春明 descreve o cotidiano das pessoas comuns, Chen Ying-chen concentrou-se nos problemas estruturais de toda a sociedade.
Suas obras são carregadas de tons melancólicos e angustiantes, mas também de um profundo humanismo. Em 2004, a companhia de dança Cloud Gate adaptou capítulos como "A Tribo do General", "O Sol que Brilha Sozinho", "Oh! Susanna", "Caminho na Montanha" e "Nuvens" para o espetáculo de dança Chen Ying-chen: Paisagens. Em 2018, o grupo teatral Dao Huo adaptou "Caminho na Montanha" para a peça teatral Na Estrada da Montanha.
Presidente da Liga Unificadora e os 10 Anos em Pequim
Em 4 de abril de 1988, a Liga para a Unificação da China foi fundada em Taipé por iniciativa da revista Zhonghua e da Federação Xia Chao; Chen Ying-chen e Hu Chiu-yuan foram entre os fundadores, e ele serviu como seu primeiro presidente. A organização opunha-se à independência de Taiwan e promovia a unificação entre os dois lados do estreito, sendo considerada um grupo unificador; em 2019, registrou-se como o partido político "Partido da Liga para a Unificação". A fundação da Liga marcou a transição crucial de Chen de escritor para intelectual político. Ele deixou de ser apenas um escritor de esquerda que escrevia romances para ocupar uma posição central no campo unificador de Taiwan.
Em junho de 2006, Chen Ying-chen aceitou o convite da Universidade Renmin da China para servir como professor visitante, estabelecendo residência em Pequim. Em 26 de setembro do mesmo ano, foi internado no Hospital Chaoyang, em Pequim, devido a um derrame; em 16 de outubro, sofreu outro derrame e entrou em coma profundo. Em junho de 2010, a Associação de Escritores da China aprovou sua adesão, concedendo-lhe o cargo de vice-presidente honorário do sétimo comitê nacional. Ele foi o segundo não-continental (da China continental) a receber este título honorário após Jin Yong, e o primeiro taiwanense a ingressar na associação.
Em 22 de novembro de 2016, Chen Ying-chen faleceu em Pequim, aos 79 anos. Em 1º de dezembro, seu funeral foi realizado no grande salão do Crematório de Baoshan, em Pequim; mais de sessenta amigos e familiares de Taiwan compareceram, e coroas de flores foram enviadas por figuras como Yu Zheng-sheng (Presidente do CPPCC), Liu Yan-dong (Vice-Primeiro-Ministro) e Sun Chun-lan (Chefe do Departamento de Assuntos de Unificação). 8
A trajetória de vida de Chen Ying-chen (nascimento em Zhunan, crescimento em Yingge, escrita em Taipé, prisão na Ilha Verde, fundação da Renjian em Taipé e enfermidade em Pequim) é uma das escolhas individuais mais controversas entre os intelectuais de esquerda do pós-guerra em Taiwan. Sua posição política (unificação com a China) divergia significativamente da opinião pública predominante em Taiwan, tendo enfrentado debates com Chen Fang-ming. Após sua morte, Chen Fang-ming também expressou publicamente seu luto.
Prêmios e Obras
Chen Ying-chen recebeu vários reconhecimentos importantes por suas conquistas literárias:
- 1979: Vencedor do prêmio principal de romance no 10º Prêmio Literário Wu Tu-liu.
- 2003: Vencedor da 2ª edição do Prêmio de Literatura Chinesa Mundial Hua Zong.
Em 2001, a livraria Hung Fan reuniu seus contos e novelas em seis volumes intitulados Coleção de Contos de Chen Ying-chen, que incluem: Meu Irmão Kang-hsiung, A Comédia de Tang Qian, Um Dia de um Assalariado, O Imperador Wan Shang, Flor de Sino e Parque Zhongxiao. Existem também coletâneas de ensaios como O Paranoidismo dos Intelectuais. O pesquisador Zhao Gang escreveu Busca: O Caminho Literário de Chen Ying-chen. 9
Referências
Leitura Adicional
- Museu da Literatura de Taiwan — Chen Ying-chen — Biografia, cronologia de obras e acervo de manuscritos de Chen Ying-chen.
- 白先勇 — Escritor contemporâneo de Taiwan, famoso por As Pessoas de Taipé.
- Chen Ying-chen — Wikipédia — Biografia completa de Chen Ying-chen, incluindo nascimento em Zhunan, Miaoli em 1937, nome de batismo Chen Yung-shan e seu papel como primeiro presidente da Liga para a Unificação da China em 1988.↩
- Chen Yung-shan (Chen Ying-chen) — Arquivo Nacional de Memória dos Direitos Humanos — Registro oficial do Museu Nacional de Direitos Humanos sobre os casos políticos e a vida de Chen Ying-chen.↩2
- A Tribo do General — Wikipédia — Informações sobre a obra "A Tribo do General" (1964), o enredo de Rosto Triangular e Garota Magrinha, e sua seleção para os "Trinta Clássicos da Literatura de Taiwan" em 1999.↩
- Relatos e Críticas sobre o falecimento de Chen Ying-chen — Mirror Media — Detalhes sobre a publicação de "Caminho na Montanha" em 1983 na revista Wen Ji e o enredo envolvendo Tsai Chien-hui e a traição do irmão.↩2
- Caso da Liga Democrática de Taiwan — Wikipédia — Registro completo do caso de 31 de julho de 1968, incluindo a lista dos 36 presos, a condenação de Chen Ying-chen a 10 anos em 31/12/1968 e sua libertação por anistia em 1975. Veja também Chu You-hsun: Julho de 1968, o Caso da Liga Democrática de Taiwan.↩
- Extra sobre Chen Ying-chen: A Era da Traição — Mirror Media — Reportagem sobre a vida de Chen Ying-chen e o contexto dos debates da Literatura de Raiz.↩
- Fundação da revista Renjian, inaugurando o não-ficção literário em Taiwan — TNL News — História da publicação da revista Renjian (1985–1989) e a posição do movimento de reportagem literária de Chen Ying-chen.↩
- Funeral de Chen Ying-chen: Amigos da literatura prestam última homenagem — CNA — Detalhes sobre o funeral em 1º de dezembro de 2016 no Crematório de Baoshan, Pequim, e a lista de coroas de flores enviadas.↩
- Busca: O Caminho Literário de Chen Ying-chen — CNA Weekly Good Books — Crítica acadêmica sob a perspectiva unificadora do livro Busca: O Caminho Literário de Chen Ying-chen (Lianjing, 2011), de Zhao Gang. Veja também People's Daily Overseas Edition: Chen Ying-chen, o "Unificador que se recusa a mudar", a caracterização oficial chinesa da posição política de Chen Ying-chen.↩