Chiung Wi-vun: o guerreiro-búfalo do movimento pela escrita em taiwanês

Um graduado em engenharia mecânica, por que se tornaria o mais radical defensor do movimento pela escrita em taiwanês? Do protesto com cartaz contra Huang Chun-ming em 2011 à especialização em estudos vietnamitas, Chiung Wi-vun usa a ação para encarnar a convicção suprema de que língua é identidade.

Visão geral em 30 segundos: Chiung Wi-vun, o mais radical defensor do movimento pela escrita em taiwanês, ergueu um cartaz no Museu Nacional de Literatura de Taiwan em 2011 protestando contra Huang Chun-ming: "Escritores de Taiwan não usam a escrita de Taiwan, mas criam em língua chinesa — vergonhoso!", desencadeando um debate em toda a ilha. Esse acadêmico formado em engenharia mecânica pela Universidade Tamkang tornou-se depois um dos raros especialistas de Taiwan em língua vietnamita, sendo atualmente chefe do Departamento de Literatura de Taiwan da Universidade Nacional Cheng Kung (NCKU). Ele usou 30 anos para provar: a língua não é apenas ferramenta, é o campo de batalha central da identidade nacional.

Um estudante de engenharia mecânica da Universidade Tamkang fundou, no início dos anos 1990, a "Sociedade da Escrita em Taiwanês", iniciando um movimento que poderia reconfigurar o panorama linguístico de Taiwan. O nome inglês de Chiung Wi-vun, "Taiffalo", é a abreviação de "Taiwan Buffalo" (búfalo de Taiwan) — essa escolha sugere sua autodefinição: um búfalo que lavra silenciosamente os campos da língua e da cultura, sem temer as dificuldades.

Da engenharia à linguística: uma virada inesperada

Nascido em 1971 em Gangshan, Kaohsiung, Chiung Wi-vun trilhava originalmente a típica rota das exatas. Mas durante o curso de engenharia mecânica na Universidade Tamkang, tomou uma decisão que mudaria sua trajetória: fundou a Sociedade da Escrita em Taiwanês e obteve da Igreja Presbiteriana de Taiwan um exemplar do Livro Didático de Pe̍h-ōe-jī.

Era o início dos anos 1990 em Taiwan; a consciência local acabava de brotar, e a escrita em taiwanês permanecia um movimento cultural extremamente marginal. Chiung Wi-vun começou a pesquisar "como escrever taiwanês" — problema aparentemente simples, na verdade complexo. Em 1996, estreou no meio literário com a coletânea de criações em taiwanês Hai-ong (O Velho do Mar), aos 25 anos.

📝 Nota do curador
Da engenharia mecânica à linguística, a virada de Chiung Wi-vun não foi acidental. Os anos 1990 marcaram o renascimento cultural local após o fim da lei marcial em Taiwan, e muitos jovens repensavam a questão "quem sou eu". Chiung Wi-vun escolheu entrar pela língua e pela escrita, possivelmente porque percebeu: quem controla a língua controla o direito à fala.

2011: o cartaz que abalou o meio literário de Taiwan

Em 24 de maio de 2011, no Museu Nacional de Literatura de Taiwan. O escritor Huang Chun-ming proferia a palestra "Questões sobre a escrita e o ensino em taiwanês", quando Chiung Wi-vun, na plateia, ergueu de repente um grande cartaz: "Escritores de Taiwan não usam a escrita de Taiwan, mas criam em língua chinesa — vergonhoso!" Em Pe̍h-ōe-jī, escreveu simultaneamente: "Tâi-oân chok-ka ài iōng Tâi-oân-gí chhòng-chok" (Escritores de Taiwan devem usar a língua de Taiwan para criar).

Huang Chun-ming enfureceu-se, tirou o paleto ali mesmo, desceu do palco e insultou Chiung Wi-vun aos berros, chegando a proferir palavrões chamando-o de "besta que ladra". O conflito foi batizado pela mídia de "incidente 524 da escrita em taiwanês", tornando-se a controvérsia pública mais polêmica da história literária de Taiwan.

As consequências jurídicas foram igualmente dramáticas: Chiung Wi-vun processou Huang Chun-ming por injúria pública; em 2012, o Tribunal Distrital de Tainan condenou Huang a multa de 10 mil novos dólares taiwaneses e pena suspensa por dois anos. Embora o Tribunal Superior de Tainan tenha depois reformado para isenção de pena, uma frase da sentença permanece instigante: "Huang é importante escritor literário, foi provocado e o grau de injúria foi leve".

⚠️ Ponto de controvérsia
O protesto de Chiung Wi-vun gerou reações polarizadas. Apoiadores veem nele a coragem de desafiar a hegemonia da literatura em mandarim; críticos consideram seu método excessivamente radical, destruindo o clima civilizado do debate acadêmico. A Associação de Escritores em Taiwanês chegou a publicar o livro A verdade sobre o protesto de Chiung Wi-vun contra Huang Chun-ming em sua defesa.

Construtor teórico do movimento de desinização da escrita

A postura radical de Chiung Wi-vun não é reação emotiva, mas assenta em sólida base acadêmica. Em 1996 partiu para doutorado no exterior, obtendo em 2003 o PhD em Linguística pela Universidade do Texas em Arlington, com foco no "discurso teórico dos movimentos de desinização da escrita na esfera dos caracteres chineses".

Sua tese central: dentro da esfera dos caracteres chineses, usar caracteres para escrever línguas nativas continua sendo, em essência, uma forma de colonização cultural. A verdadeira independência linguística deve basear-se em sistema de escrita alfabética. Esse arcabouço teórico fez dele a ala mais radical do movimento pela escrita em taiwanês — não basta falar taiwanês, é preciso escrevê-lo em alfabeto latino.

Atualmente preside a Associação do Alfabeto de Taiwan, dedicada a promover o sistema de escrita Pe̍h-ōe-jī. Para ele, Pe̍h-ōe-jī não é apenas ferramenta de romanização, mas a forma legítima de escrita da literatura em taiwanês.

Especialização inesperada em estudos Taiwan-Vietnã

Mais surpreendente ainda, Chiung Wi-vun tornou-se um dos raríssimos especialistas de Taiwan fluentes em vietnamita. Desde 1997 dedicado à pesquisa comparada Taiwan-Vietnã, descobriu que a experiência vietnamita de política linguística oferece importante inspiração para Taiwan: o Vietnã adotou a escrita alfabética durante o período colonial francês, libertando-se com sucesso das amarras do sistema de caracteres chineses.

Em 2011, Chiung Wi-vun recebeu da Academia de Ciências Sociais do Vietnã a "Medalha de Mérito em Estudos Vietnamitas", honraria extremamente rara para um acadêmico de Taiwan. Hoje dirige simultaneamente o Centro de Estudos Vietnamitas da NCKU e atua como coordenador de P&D do "Teste Internacional de Proficiência em Vietnamita" (iVPT).

💡 Você sabia?
A pesquisa vietnamita de Chiung Wi-vun não é mero interesse acadêmico, mas visa construir fundamentos teóricos para a linguística comparada. Em seu modelo, o Vietnã libertou-se totalmente dos caracteres chineses, a Coreia parcialmente, o Japão usa sistema misto, enquanto Taiwan permanece profundamente enredada nos caracteres — um "espectro de desinização" progressivo.

Produção acadêmica e impacto social

A produção de Chiung Wi-vun é impressionante: desde Hai-ong (1996) até Tâng-soa kòe Việt-nam: Việt-nam Bêng-hiong-lâng ê jīn-tèng choân-pian tī tē-hā khiong-iú (Da China ao Vietnã: estudo sobre a transformação identitária e a localização dos Mingxiang do Vietnã, 2024), já publicou mais de 30 monografias, abrangendo literatura em taiwanês, estudos vietnamitas, certificação linguística e outros campos.

É também coordenador de P&D do "Teste de Taiwanês para Todos os Cidadãos", sistema que busca estabelecer mecanismo padronizado de avaliação da proficiência em taiwanês. Sob seu impulso, o Centro de Testes de Taiwanês da NCKU tornou-se uma das mais importantes instituições de pesquisa em taiwanês da ilha.

Atualmente chefia o Departamento de Literatura de Taiwan da NCKU, formando nova geração de pesquisadores em literatura taiwanesa. Em sala, insiste em lecionar em taiwanês, praticando seu ideal de "falar taiwanês, escrever taiwanês".

Controvérsias e reflexões

A postura radical de Chiung Wi-vun permanece controversa. Mesmo dentro do movimento pela escrita em taiwanês, muitos consideram sua defesa do "todo em alfabeto" excessivamente extrema. Parte do corpo docente e discente do Departamento de Literatura de Taiwan da NCKU discorda de seus métodos, temendo que dificultem a popularização do movimento.

Mas sob outro ângulo, é justamente por existirem "extremistas" como Chiung Wi-vun que a ala moderada ganha espaço de negociação. Sua presença faz com que a solução de compromisso "caracteres e alfabeto em paralelo" pareça racional e viável.

"Língua é identidade, identidade é política. Quem se recusa a encarar a politicidade da questão linguística está, ele próprio, fazendo a maior declaração política." — Chiung Wi-vun

Reflexão após 30 anos

Desde a fundação da Sociedade da Escrita em Taiwanês no início dos anos 1990 até hoje, Chiung Wi-vun dedica-se ao movimento há 30 anos. Nesse período, o status social do taiwanês de fato melhorou — a Lei de Desenvolvimento das Línguas Nacionais foi promulgada, línguas locais entraram no currículo escolar obrigatório — mas a distância para seu ideal de "equidade linguística" continua grande.

Pesquisas recentes mostram que a população falante de taiwanês segue em declínio, e a proficiência das gerações mais jovens é geralmente insuficiente. Diante dessa realidade, a persistência de Chiung Wi-vun ainda faz sentido? Ou, justamente por ser a tendência tão severa, é que se faz mais necessário alguém assumir o papel de "guardião da língua"?

Chiung Wi-vun respondeu com sua carreira acadêmica: mesmo rotulado de "radical", mesmo arcando com controvérsias e críticas, continua acreditando que direitos linguísticos são direitos humanos fundamentais, e que a literatura em taiwanês tem valor insubstituível.

Esse acadêmico que se autodenomina "búfalo de Taiwan" lavra há 30 anos os campos da língua — talvez seja exatamente o tipo de persistência que Taiwan mais precisa: sem perguntar pela colheita, apenas pela lavoura.

Referências

Sobre este artigo Este artigo foi elaborado de forma colaborativa pela comunidade, com auxílio de IA na redação e revisão.
Palavras-chave
linguista movimento pela escrita em taiwanês educação em língua materna estudos vietnamitas
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