Ramune: cem anos de bolhas dentro da garrafa de vidro, e aquele "ploc" da infância taiwanesa

Do laboratório britânico do século XIX à fonte fria de Su'ao em Taiwan, o ramune não é apenas um refrigerante: é uma sinfonia cultural sobre pressão física, classes do período colonial japonês e a fé no Terceiro Príncipe.

Resumo em 30 segundos: O ramune é a memória refrescante de Taiwan ao longo de um século; seu charme central reside naquela esfera de vidro empurrada para o gargalo pela pressão do dióxido de carbono. A invenção remonta à Inglaterra do século XIX, chegou a Taiwan via Japão e chegou a impulsionar a indústria local de refrigerantes graças à descoberta da fonte fria de Su'ao. Testemunhou o rótulo de classe dos "refrigerantes de terceira categoria" do período colonial japonês, atravessou o racionamento da Segunda Guerra e, na era moderna, reinventou-se como cultura turística e oferenda a divindades, tornando-se símbolo nostálgico indispensável nas ruas de Taiwan.

A sinfonia centenária da esfera e das bolhas

A história do ramune não começou na Ásia, mas no laboratório britânico do século XVIII. Em 1772, o químico britânico Joseph Priestley publicou sua pesquisa sobre a infusão de dióxido de carbono em água, inicialmente vista como uma "água medicinal" com efeitos de "fortalecer o estômago e regular os intestinos"1. Contudo, os primeiros refrigerantes carbonatados enfrentavam o problema do fechamento: as rolhas de cortiça tradicionais mal conseguiam reter o gás por longos períodos e eram caras1.

Somente em 1872 o engenheiro britânico Hiram Codd inventou o revolucionário "gargalo Codd" (Codd-neck bottle). Esse desenho usava a pressão do gás dentro da garrafa para empurrar uma esfera de vidro contra um anel de borracha no gargalo, vedando-o2. Curiosamente, as primeiras esferas de vedação eram de mármore; só depois passaram a ser de vidro, por custo e estética1. A tecnologia chegou ao Japão em 1884, onde a pronúncia inglesa de "Lemonade" virou「ラムネ」(Ramune), tornando-se sinônimo de refrigerante carbonatado no Leste Asiático3.

O nascimento do refrigerante taiwanês e a marca de classe

Em 1895, com o início do período colonial japonês, o ramune pisou oficialmente em solo taiwanês. O nascimento da indústria local de refrigerantes está indissociavelmente ligado à descoberta da fonte fria de Su'ao, em Yilan. O militar japonês Takenobu Shinkage (竹中信景) descobriu que a fonte continha grande quantidade de dióxido de carbono natural, atóxica e com propriedades terapêuticas, fundando em 1909 a "Fábrica de Água Fria Sete Estrelas" (七星涼水廠), que produziu a primeira garrafa de ramune de Taiwan4.

Na época, o mercado de refrigerantes tinha uma divisão de classes rigorosa: os importados do Japão metropolitano eram "refrigerantes de primeira categoria"; os produzidos por japoneses residentes em Taiwan, "de segunda categoria"; e os de produção taiwanesa, rebaixados a "refrigerantes de terceira categoria"1. A "Jin Xin Shang Hui" (進馨商會), fundada em 1925 (antecessora da HeySong), começou justamente com os ramunes das marcas "Fuji" e "San Shou" sobrevivendo nas frestas. Naquele tempo, o ramune era artigo de luxo: uma garrafa por dois "sen" (centavos de iene) estava fora do alcance da maioria das famílias, que só o provavam em festas ou doenças1.

📝 Nota do curador: Naquele tempo de escassez, a esfera de vidro que as crianças retiravam quebrando a garrafa vazia era frequentemente seu único brinquedo refinado, símbolo de uma doçura conquistada a custo.

No pós-guerra inicial, a escassez persistia. Além do ramune, outra bebida popular era a "água da avó" (阿婆水). Vendedores ambulantes empurravam carrinhos e preparavam na hora: água carbonatada sem sabor misturada a geleias e caldas, agitadas manualmente, com sabores variados e preço acessível — a refrescância preferida de muitas crianças após a aula1.

Diferente do ramune, majoritariamente fabricado em fábrica e vendido engarrafado, a água da avó era flexível e personalizável; juntas, compunham o cenário dos primeiros refrigerantes taiwaneses. Apesar das formas distintas, ambas carregavam a sede taiwanesa por refrescância e a memória de tempos simples. Porém, com a evolução dos tempos, ambas enfrentam o imenso desafio do mercado moderno de bebidas.

A física dentro da garrafa e o ritual de infância

Beber ramune é em si um experimento de física engenhoso. As duas cavidades simétricas no gargalo (os "dimples de Codd") são o segredo: depois que a esfera é empurrada para dentro, deve-se inclinar a garrafa no ângulo certo para que a esfera trave na cavidade, permitindo que o líquido flua sem ser bloqueado novamente5.

Aquele "ploc" característico e a resistência ao empurrar a esfera construíram a memória sensorial coletiva de gerações de taiwaneses. No folclore taiwanês, o ramune ganhou um papel cultural inesperado. Como o "Terceiro Príncipe" (三太子, Nezha) é visto como protetor das crianças e apreciador de doces e brinquedos, o ramune — que une doçura e a esfera-brinquedo — tornou-se oferenda de escolha nas devoções a ele2.

Guardando o último "ploc": o caminho de transformação das fábricas antigas

Diante do impacto dos chás de preparo manual (手搖飲) e refrigerantes em garrafas PET, a indústria de ramune de Taiwan passou por uma transformação dolorosa. A "Fábrica de Ramune Turística Dabunei" (大補內彈珠汽水觀光工廠, Namnei), em Miaoli, é uma das poucas que persistem na produção de ramune em garrafas de vidro6. Não apenas mantêm o processo tradicional, como desenvolveram garrafas personalizadas, levando o ramune a produtos culturais criativos como Pili Marionetes (霹靂布袋戲) e o Urso de Kaohsiung (高雄熊)2.

A "Fábrica de Refrigerantes Rongquan" (榮泉汽水工廠), em Kaohsiung, representa outra via. Fundada em 1959, sob a segunda geração lançou sabores como pêssego, abacaxi, uva, limão-siciliano, e até uma "água com gás oceânica" sem açúcar para atender à tendência saudável. A Rongquan também firmou parcerias com hotéis cinco estrelas, reembalando o "refrigerante de terceira categoria" como artigo nostálgico com apelo de design2.

Experiência turística e informações de desconto

Para que mais pessoas vivenciem o encanto do ramune, a maioria das fábricas tradicionais remanescentes virou fábrica turística, oferecendo DIY e visitas guiadas.

Marca / Fábrica Local Destaques da experiência Preços de referência e descontos
Fábrica de Ramune Turística Dabunei Condado de Miaoli, Township de Tongluo Só com reserva: visita guiada, DIY de ramune, experiência de pipoca, refrigerante à vontade Ingresso NT$ 250 (grátis abaixo de 3 anos). Reservas no Klook costumam ter 5% de desconto ou código promocional78
Fábrica de Ramune Rongquan Distrito de Sanmin, Kaohsiung Marca de 60 anos: visita à fábrica (reserva por QR code), garrafas personalizadas, vários sabores à venda Caixa com 24 garrafas no varejo por ~NT$ 399; Shopee e outras plataformas costumam ter frete grátis na caixa910

📝 Nota do curador: O valor do ramune já não está em apenas matar a sede, mas no som nítido daquela esfera transparente rolando na garrafa — o suspiro mais alto da transição de Taiwan de sociedade agrária para industrial.

Referências

  1. 【História de Coleção】 O sabor carbonatado da história de Taiwan: do ramune à guerra centenária da HeySong Sarsaparilla — Artigo especial da AgriMedia
  2. O sabor nostálgico refrescante que até as divindades amam! Prove o "Ramune Rongquan" de Kaohsiung — Ver detalhes no link original
  3. História do ramune — Ver detalhes no link original
  4. Você tira a "esfera de vidro" do ramune, mas sabe como ela entra? Desvendando o mistério do ramune! — Ver detalhes no link original
  5. Ramune — Wikipédia — Entrada da Wikipédia
  6. Fábrica de Ramune Turística Dabunei: história da marca — Ver detalhes no link original
  7. Sistema de reserva・Pacotes de passeio — Ver detalhes no link original
  8. Miaoli: Ingresso da Fábrica de Ramune Turística Dabunei — Ver detalhes no link original
  9. Ramune Rongquan: memórias de verão gelado até a alma — Ver detalhes no link original
  10. Ramune Rongquan: promoções no Shopee — Ver detalhes no link original
Sobre este artigo Este artigo foi elaborado de forma colaborativa pela comunidade, com auxílio de IA na redação e revisão.
Palavras-chave
Ramune fonte fria de Su'ao HeySong água da avó memórias de infância cultura alimentar
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